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Dia das Mentiras

Quinta-feira, 28.09.06

Algumas das melhores e/ou mais caricatas mentiras publicadas e editadas, pela nossa imprenssa, no dia 1 de Abril, mais conhecido pelo " Dia das Mentiras ".

Lisboa, 31 Mar (Lusa) - Autocarros com três pisos, Bin Laden no
Algarve,
o CCB a afundar ou metropolitano no Porto foram algumas notícias do passado
publicadas a 01 de Abril, quando dizer mentiras é cumprir a tradição.

       Há séculos conhecido como "dia das mentira", o primeiro dia de Abril
tem levado jornais de todo o mundo, nesse dia, a inventar os maiores
disparates, com muitos cidadãos a acreditar neles.

       Em 1988, por exemplo, uma rádio noticiou que uma corrente de água
fria
tinha levado toneladas de marisco a dar à costa na praia da Parede. Muitos
portugueses, munidos de sacos, lá foram.

       Seis anos antes, em 1982, o jornal "A Tarde" dizia que uma mercearia
da
baixa de Lisboa vendia batatas a nove escudos (o preço médio era 46 escudos)
e provocou também uma romaria, afinal um logro no qual até a própria mulher
do dono do estabelecimento caiu.

       Ao longo dos anos, os órgãos de comunicação social puxam pela
imaginação e publicam notícias inventadas no dia 01 de Abril, muitos delas
ligadas à actualidade do país para dar alguma credibilidade.

       Em 1981, o britânico "The Guardian" dizia que cientistas tinham
"dominado" o tempo e garantido um dia radioso para o casamento de Carlos e
Diana (29 de Julho desse ano) e chuva torrencial para zonas menos "leais" à
coroa.

       Nesse dia o "Daily Mail" noticiava que continuavam as buscas de um
atleta
japonês, que participara numa maratona de Londres mas que confundira 26
milhas
com 26 dias.

       Salvador Dali a pintar os deputados portugueses no Parlamento, o
famoso
terrorista Carlos em Portugal para assassinar Ângelo Correia (ministro da
Administração Interna em 1982), o médico Gentil Martins chamado ao Kremlin
para tratar Brejnev, ou a Câmara de Lisboa transferir-se para o Hotel Ritz
foram algumas "boas notícias" da

imprensa.
       Em França anunciou-se uma agência para alugar lugares no metro, em
Bruxelas revelava-se que o Japão ia aderir à CEE e em Inglaterra que os
"soutiens" podiam interferir com as emissões de televisão.

       Ao longo dos últimos anos contaram-se nos jornais coisas tão
incríveis
como a do que o festival eurovisão da canção ia ser transmitido sem som, ou
que o futebolista Maradona ia jogar para o Spartak de Moscovo.

       Esta era uma notícia que o jornal governamental soviético "Izvestia"
publicou em 1988, o que mostra quanto as mentiras de Abril eram uma
tradição.

       Eram. Porque pelo menos no que toca à imprensa portuguesa o hábito
está este ano praticamente esquecido, a julgar pelo pouco "entusiasmo" sobre
o
assunto demonstrado por alguns dos principais órgãos de comunicação social.

       Numa ronda feita pela Agência Lusa, a maior parte dos responsáveis
disse que não tinha ainda pensado no assunto. Foi o caso da TVI, onde não
deverá haver qualquer mentira na quinta-feira, ou do jornal 24 Horas, onde a
chefia de redacção não pensou em nada mas até admite alinhar na brincadeira
se surgir uma ideia engraçada.

       O Correio da Manhã vai publicar alguma coisa completamente inventada,
só que ainda não sabe o quê, e no Porto o Jornal de Notícias vai cumprir a
tradição que iniciou há dois anos e não publicar qualquer mentira.

       A rádio TSF, segundo o director-adjunto Luís Proença, será também
fiel à tradição e não vai preparar qualquer mentira, até porque nunca o
fez, desde que foi criada.

       No desporto, onde se publicam por norma algumas das maiores mentiras,
a
chefia de redacção do Record admite publicar alguma coisa, se quarta-feira
houver uma ideia interessante e também se houver espaço no jornal para isso.

       No Diário de Notícias, segundo o director, Fernando Lima, o assunto
está a ser pensado, para ter um tratamento adequado, e no Público, disse o
director-adjunto Nuno Pacheco, ainda não se pensou no caso.

       Inserir ou não uma mentira, explicou Nuno Pacheco, será uma decisão
da
véspera e caso haja uma suficientemente atractiva, porque haver mentiras a
01
de Abril não é obrigatório.

       Obrigatório não, mas durante muitos anos quase. E tudo com origem
provável no ano de 1564, quando o rei francês Carlos IX, ou a sua mãe, fez
publicar um decreto alterando a data de início do ano civil, que passou de
01
de Abril para 01 de Janeiro.

       Como na altura do ano novo se costumavam trocar presentes, os adeptos
do
novo calendário mudaram a tradição para Janeiro mas mantiveram subtilmente o
costume de Abril só que com presentes falsos e falsas mensagens de
felicitações, que resultaram depois em partidas e mentiras.

       Esta tradição foi depois alargada a toda a Europa, com a difusão da
cultura francesa, e mais tarde ao continente americano e ao resto do mundo.
Hoje, até em países como a Austrália ou Indonésia se contam mentiras no dia
01 de Abril.

       Em Portugal, em 1948, Artur Agostinho contou que o músico Bing Crosby
estava a chegar ao aeroporto da Portela e provocou a maior confusão, e em
1980
o anúncio de que uma loja da Valentim de Carvalho vendia lâmpadas que davam
cor às televisões provocou também o caos no estabelecimento.

       Neste rol de mentiras uma pela menos tornou-se realidade. A Microsoft
não comprou a Igreja Católica (AP, 1994), Bin Laden nunca esteve num bar de
Albufeira mas a cidade do Porto tem metro.

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publicado por Rastr às 19:34


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